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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Dormir no Aeroporto

Sim, meus caros, passei por essa! Dormi no Galeão esperando meu voo para São Paulo. Uma dessas particularidades da vida que muitos acabam passando. Ainda bem que foi aqui no Brasil. Ainda bem que foi seguro e terminou tudo ok. Mas não deixo de pensar que parecia uma indigente ali deitada no banco.

Tive alguns lances de sorte. E também vim prevenida. Então minha noite de sono "galeônica" até que não foi tão ruim assim, acho que deu para dormir melhor do que em ônibus convencional, aqueles do tipo com poltrona "costa reta". Em relação aos macetes, já saí da minha bela morada na ilha privê naval sabendo que iria enfrentar uma noite dormindo no aeroporto. Então carreguei o meu travesseiro. Não era travesseirinho, era um daqueles grandes, respeitáveis, fofos, com fronha de malha, cheirando a lavanda (parêntese: adoro cheiro de lavanda). O lance de sorte foi que os bancos da sala de espera do Galeão pareciam ter sido projetadas para algum desafortunado pernoitar por ali. Eram uma massa única, bem compridos, e não tinham encosto de braço. Resultado: consegui me esticar toda, inclusive as pernas. É lógico que a gente acorda meio quebrada depois dessa noite de sono bizarra porque banco de aeroporto não tem a maciez adequada para garantir conforto, mas só de conseguir me deitar, valeu.

Só não me atentei para um fato importante que era a bagagem. Dormi com a bagagem ali do meu lado, assim qualquer ladrãozinho conseguiria levar meus pertences fácil. Assim, não sigam o meu exemplo, procurem um guarda volumes e deixem suas coisas por lá. Safo?

É isso aí, sobrevivi...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Franguinho grelhado com salada !? Tô fora!


Estou aqui me entretendo com as Delícias de Araxá...Importei para São Paulo doce de leite e bananinha embrulhada na palha. Adoro também doce em compota, doce de abóbora, sidra, mamão verde (para, tô aqui salivando de vontade). Enfim, como uma descendente de italianos, sou uma amante da boa comida.

Sempre prego que quando se viaja, economizar na comida é uma burrice tremenda. Comida é o combustível principal para fazer os passeios e aproveitar a viagem, sem ele você não tem energia nenhuma. Fora que experimentar a cozinha típica de um lugar faz parte do conceito viajante de ser. Por mais bizarro que o prato possa parecer, merece ser experimentado. Minha mãe sempre falava para mim que não se pode dizer que não gostou da comida sem ter experimentado. É verdade. Pratos feiosos podem reservar boas surpresas.

Outra coisa que me emputece um tanto não é a economia de dinheiro e sim de calorias. Em Ouro Preto fui comer num restaurante típico.Tinha um buffet muito louco de quitutes da roça: feijão tropeiro, ovo frito, lombinho assado, couve refogada e aqueles torresminhos crocantes divinos. Foi aí que me deparei com uma cena bizarra: uma mulher reclamando que não tinha frango grelhado pra comer com salada. Ai, me deu uma vontade de mandar a sujeita pra...aquele lugar...Em restaurante da roça querer franguinho com salada!!! Que heresia!!! Pior, é uma hipocrisia sem noção, porque a senhora estava com um ligeiro sobrepeso ( pra não chamar de rolha de poço).

Aposto que pessoas assim comem franguinho com salada no almoço, mas no meio da tarde tão lá assaltando a geladeira. De que adianta o frango com salada, se depois a sujeita vai se entupir de "Delícias de Araxá" kkkkkkk? Minha senhora, entenda uma coisa, as calorias do torresminho vão ser queimadas muito rápido estando a senhora em Ouro Preto e pretendendo visitar aquele mundaréu de igreja e museu. Lá o melhor meio de transporte é andar à pé. E Ouro Preto + cidades históricas tem um circuito bem heavy metal para se andar à pé, com umas ladeiras de Deus me livre. E ninguém morre por comer torresmo. Meu vô tem 87 anos e tá aí no circuito, segundo informações, ele passou a vida toda cozinhando com banha e comendo quilos de torresmo.

Claro, não estou sugerindo que se coma torresmo todo santo dia, principalmente se você quiser evitar morrer de infarto. Só que é muito chato evitar de provar as delícias de um local por conta de contagem de calorias. Cai fora!

sábado, 13 de junho de 2009

Ôro Preto




Por mais que tenha viajado o Brasil todo, sempre falta algo pra se ver. Ouro Preto é um grade surpresa, nunca tinha visitado essa preciosidade ultra turística, mas ao mesmo tempo com tantas outras coisas inexploradas para se conhecer. A primeira impressão é que parece que a cidade parou no tempo. Mesmo que não se encontre donos de minas, senhores de escravos, negros escravos e alforriados, madames com brincos enormes de diamantes, mesmo assim parece que eles vivem ali, ainda que os atuais habitantes e transeuntes sejam outros.

A reflexão maior talvez seja a sociedade hipócrita que se criou naquela época. Onde o ouro obtido à custa do sangue de milhares de escravos era usado pra comprar as entradas para o céu. Onde o moralismo escondia falcatruas e injustiças. Mas enfim, apesar desse lado negro do passado, a beleza dos casarões é de impressionar quaquer um.

O surreal de Ouro Preto é a densidade de igrejas por metro quadrado. Sem brincadeira, num mesmo quarteirão cheguei a encontrar 3 igrejas. Numa vista panorâmica da cidade, contei 20 igrejas que meus olhos conseguiam alcançar, tirando outras fora do circuito. Por essa quantidade de igrejas, dá pra imaginar que o povo do período colonial já tinha garantido o seu lugar no céu.

As coisas da hora da cidade são os restaurantes simples, fora do circuito turístico, que servem lombinho com tutu de feijão. As casinhas que servem doces de compota também são 10. Para quem quer se inserir no circuito estudantil, as festas de república são a pedida. E, é lógico, a beleza do casarões fala por si só.

Viajantes com destino às cidades históricas: aproveitem! Isso é Brasil!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Le debut


Le debut...A primeira vez a gente nunca esquece.

São Paulo, junho de 2006. Estava de férias da faculdade e completamente entendiada. Queria viajar para quebrar aquele marasmo. Chamei meu irmão e ele não topou. Chamei um monte de amigo e ninguém topou. Até que uma amiga tava quase topando viajar comigo de ônibus até Ouro Preto- MG, quando ela desistiu de última hora. Eu já tava quase embarcando no ônibus quando me deparei com uma promoção de passagens aéreas ida e volta de SP a Caxias do Sul por R$ 50,00. Foi a deixa! Mais barato que ir a Minas Gerais! E ainda por cima chegando no Sul de avião!

Me lembro bem...comprei a passagem numa terça feira e numa quinta, bem cedo, já tava embarcando pra Caxias. Fui sozinha mesmo, mandei os outros lamberem sabão (pra não dizer outra coisa). Não tinha reservado hotel, albergue, nada...Não tinha a mínima idéia do que iria fazer quando chegasse por lá. Completamente na cega! Me lembro que cheguei no Aeroporto de Caxias e peguei um ônibus circular até a rodoviária, com toda aquela tralha nas minhas costas. Decidi tomar um ônibus até Gramado, assim na louca. Lembro que fui chegar em Gramado era mais de 10 h da noite e por sorte tinha vaga no albergue da cidade. O tour começou bem assim rsrsrs.

Foi muito bom! Minha primeira aventura foi ter visitado toda a serra gaúcha em ônibus circulares. Passei por vinhedos, cidadezinhas perdidas no mapa, comi em cantinas simples massas muito gostosas e sentei em vários bancos de pracinhas simplesmente para tomar sol num frio matinal de 2°C. Os dois passeios que fechei em pacotes foi a visita e degustação na vinícola Miolo e o passeio de Maria Fumaça. Ambos surpresas muito agradáveis. A Maria Fumaça foi um caso a parte, pensei que fosse aquela coisa chata de passeio para 3a idade. E realmente a 3a idade estava presente em peso. O porém é que durante o passeio era servido vinho pro povo...Para numa estação bebe vinho...na próxima bebe mais vinho...e mais...e mais...E no fim tava todo muito muito alegre e pagando bafão cantando "La Bella Polenta". Foi hilário ver os velhinhos trançando as pernas. E eu lá no meio, igualmente "alegre".

Não precisamos necessáriamente sair do Brasil para ter uma experiência louca! Meu debut prova isso!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Sendo um viajante

Vou tentar repassar a essência do que é ser um viajante....

Primeiro gostaria de dizer que a atividade de turismo é algo recente na humanidade. Séculos atrás ninguém se atrevia a viajar somente pelo prazer de viajar. Viajar era algo perigoso, arriscado, quando nao se havia automóveis ou onibus e o transporte via marítima era algo penoso. Sabemos que agora há muitas facilidades em termos de deslocamentos. O turismo começou a ganhar força quando se consolidaram as leis trabalhistas e as férias e folgas passaram a fazer parte da vida do trabalhador. Fazer turismo é algo absolutamente normal.

Ser turista é aproveitar, relaxar e descansar. E quanto a ser um viajante? Envolve isso e muito mais...O viajante procura se envolver com a cultura do local visitado. Se relacionar com os habitantes locais. Aprender novos hábitos e uma nova língua. Procura, depois que volta pra casa, incorporar a cultura e costumes aprendidos à sua rotina. Enfim, ser viajante é procurar uma nova experiência de vida.

Nada, mas absolutamente nada contra agências de viagens e seus pacotes.Realmente é mais prático, não tem que pensar em onde ficar, onde ir, em nada...As vezes é isso que queremos mesmo. Porém a liberdade e o contato com a cultura local que uma viagem independente proporciona é uma experiência única. O problema é que liberdade dá um trabalho...Como tudo na vida.Fazer todo o planejamento de itinerário, previsão de gastos, tomar decisões...Fora o risco maior de cair em roubadas. Mas vale a pena, pois você é senhor absoluto do seu tempo. Dá para ir embora de lugares chatos mais rápido e pedir um bis naqueles super interessantes ou divertidos. Dá para fazer mudanças repentinas de roteiro sem dar muita satisfação. Como você é senhor do seu tempo, dá para perder totalmente a noção do mesmo.

Recomendo 100% uma viagem independente. Seja um viajante.

Como funcionam os albergues

Quando a gente fala que se hospedou em um albergue, muita gente tem arrepios. Acha que é um pulgueiro horroroso, com um monte de gente amontoada e com localização ruim na cidade. Alguns casos até pode se encaixar na descrição, mas na maioria das vezes nao é o que ocorre. Existem albergues até mais luxuosos que muitos hotéis por aí. Para mim, vejo como uma hospedagem barata, lugares simples porém limpos e arrumados. Tenho na minha mente que para fazer turismo não é necessário luxo, então uma caminha limpa já é suficiente. A maior vantagem dos albergues (tirando os preços mais baixos), é a possibilidade de se conhecer gente e fazer amigos.

O principal esquema dos albergues é que eles se baseiam na coletividade. Os quartos são compartilhados, assim como banheiros, cozinha e obviamente as áreas comuns, como sala, salão de jogos e etc. Talvez seja isso que assusta algumas pessoas, porque, sem enganar ninguém, a sua privacidade é reduzida, pois o mais comum são os dormitórios de 4 a 6 pessoas.É claro, sempre há opções de dormitórios e quartos privativos para 2, 3 pessoas, lembrando que aqui você paga mais caro pelo aumento de privacidade. Assim como os banheiros. A presença ou não de banheiro no seu dormitório pode alterar os preços.

Existe uma rede principal de albergues que é a hosteling international (conhecida também com a sigla HI). É a mais conhecida. Há também albergues alternativos, que podem ser melhores e mais baratos que a rede principal, mas aconselho aqui a você pegar dicas com outros viajantes a respeito do estabelecimento, se você pretende se hospedar nos alternativos. Pode haver barbadas excelentes ou roubadas inquestionáveis.

Quanto aos tipos de albergues, há de tudo. Desde prédios convencionais, até casas de família transformadas em hospedagens. Já vi coisas exóticas, do tipo albergues instalados em navios desativados, onde as janelas dos quartos são escotilhas. Ou mesmo antigos castelos medievais igualmente transformados em albergues. Gosto muito dos tipos "casa de família". Muitos deles são administrados por vovózinhas simpáticas, onde vc se sente mesmo dentro de uma casa de vó, mimado que nem...Há também aqueles onde rola mais zoeira e aqueles mais tranquilos, aí depende do gosto de cada um.

Alguns sites interessantes onde se é possivel fazer reservas:

  • www.hostelworld.com
  • www.hihostels.com

Atenção: É extremamente recomendável fazer a reserva dos locais onde você irá se hospedar com alguma antecipação para evitar eventuais sustos. Os sites acima cobram taxas em torno de U$ 1 para fazer a reserva. Há também o seguro cancelamento, também em torno de U$ 1, que também recomendo. É pouco, simples e rápido. Evite situações desagradáveis.